Bloco de Esquerda de Benfica: Prestação de Contas

As eleições autárquicas de Outubro determinaram a derrota de uma liderança autoritária e paralisante da junta de freguesia de Benfica. A Direita perdeu as eleições e o PS venceu. O Bloco de Esquerda voltou a eleger um representante (veja-se o quadro comparativo).

Membros da Assembleia de Freguesia de Benfica:

   PS  PSD  CDU  BE
 2005  7  8  3  1
 2009  8  8 (com CDS)  2  1

O novo executivo da Junta – composto por membros do PS e da CDU -  foi eleito em Novembro de 2009, com a abstenção do Bloco de Esquerda. A nova Presidente – Isabel Drummond – tem agora uma responsabilidade imensa: a de apagar a péssima imagem deixada pelo executivo anterior, devolvendo Benfica aos cidadãos. O Bloco de Esquerda manterá uma posição vigilante, construtiva e crítica. Ou seja, uma atitude propositiva e cooperante quando as políticas forem justas, mas combativa e intransigente quando as vozes da especulação imobiliária quiserem falar mais alto. Exigiremos o cumprimento de muitas das promessas do PS Benfica, e lutaremos também pelas nossas propostas. Consideramos mesmo que o grande teste deste novo governo da junta medir-se-á pela sua capacidade de fazer valer a vontade dos cidadãos de Benfica - também junto da Câmara – contra os grandes projectos de loteamento e de betão previstos, e pela prioridade à construção de novos equipamentos sociais e culturais.

A 29 de Dezembro de 2009 foi aprovado o Orçamento e as Grandes Opções do Plano para 2010, com a abstenção do Bloco de Esquerda.
Nos anteriores quatro anos de Executivo do PSD, pouco ou nada foi feito em prol da população de Benfica. As taxas de investimento foram irrisórias e o novo Executivo PS-CDU deparou-se com um saldo positivo nas contas de cerca de um milhão de euros. No entanto, a este milhão de euros de saldo positivo há que juntar mais 950 mil euros que foram entregues à Igreja de Nossa Senhora do Amparo em plena campanha eleitoral de forma irregular – verbas que o novo Executivo já se encarregou, e ainda bem, de recuperar, embora não as tenha colocado nas contas do novo Orçamento aprovado.

Temos assim que o saldo positivo da Junta de Freguesia de Benfica é de 2 milhões de euros e não de um milhão de euros. Há muito dinheiro para investir na qualidade de vida da população. Só que, nesse aspecto, o Orçamento revela-se pouco rigoroso e pouco ambicioso. Pouco rigoroso porque não contempla os 950 mil euros recuperados – o que significa que será bevemente necessário um Orçamento Rectificativo – e pouco ambicioso porque não parece aproveitar da melhor forma a folga financeira da Junta para investir de forma mais visível na qualidade de vida da população.

Naturalmente isso não impediu o Bloco de elogiar algumas das medidas sociais positivas: a criação do programa “SOS” – Reparações (serviço gratuito de apoio aos idosos); a implementação de um sistema de empréstimos de livros escolares, ou a criação de um gabinete de apoio à inclusão. Há agora que garantir que elas vão mesmo para a frente.

O Bloco alertou ainda para o facto de existirem alguns trabalhadores avençados na Junta de Freguesia de Benfica – a recibo verde – cuja tipo de trabalho em nada o justifica. Têm horário, tarefas regulares, e trabalham há vários anos na Junta. Não faz sentido continuarem nesta situação de precariedade e devem ter direito no mínimo a um contrato de trabalho, ou mesmo à integração no Quadros. Sobre isto, a Presidente invocou questões legais: a abertura de um concurso daria prioridade a outras pessoas da função pública. Mas este argumento não nos satisfaz, dado que na Câmara Municipal de Lisboa esta situação foi resolvida com o recurso a um Tribunal Arbitral. É preciso vontade política para acabar com a precariedade na Junta de Freguesia de Benfica.

 

A Presidente da Junta anunciou também que suspendeu as obras da cobertura do ringue, decisão motivada pela falta de transparência e pela sucessão de erros técnicos que envolvem aquela construção e que estavam a saldar-se por um claro prejuízo para o erário público. O Bloco de Esquerda apoia esta decisão e espera que o rigor e a transparência possam afirmar-se cada vez mais no poder local de Benfica.

 

No final desta sessão da Assembleia de Freguesia, o Bloco de Esquerda questionou o executivo da Junta sobre a situação da Fábrica Simões bem como sobre o caso das Vilas situadas no número 664 da Estrada de Benfica e cujo apetite imobiliário já foi denunciado por vários cidadãos e pelo blogue “Retalhos de Benfica”.

Sobre o primeiro caso, a Presidente da Junta de Freguesia limitou-se a dizer que a obra é inevitável e não respondeu se estava ou não de acordo com um projecto daquela dimensão em pleno coração de Benfica. Mas o Bloco sabe que falta ainda uma aprovação final camarária para que o projecto vá para a frente e continuamos a apelar ao bom senso. Sobre o segundo caso, a Presidente disse apenas que a Câmara terá intimado os proprietários a realizarem obras coercivas.

E é esta a primeira prestação de contas do Bloco de Esquerda, garantindo a informação a quem nos elegeu e a todos os cidadãos de Benfica.

Pretendemos dar aconhecer aos residentes desta freguesia as nossas actividades bem como conhecer as suas sugestões para que os nossos eleitos na Assembleia de Freguesia nos possam representar da melhor forma.