Obras da CRIL

Francisco Louçã e Helena Pinto visitaram as obras do último troço da CRIL - Circular Regional Interna de Lisboa - nos concelhos de Lisboa e da Amadora. Foram recebidos por dezenas de moradores, que mais uma vez mostraram a sua indignação com o atropelo brutal aos seus direitos mais básicos. O Bloco - que já participou o caso à Procuradoria Geral da República - solidarizou-se com a população e acusa o governo de abusar e enganar as pessoas.

 A visita teve início no Bairro de Santa Cruz de Benfica, onde os deputados do Bloco puderam observar um muro com mais de cinco metros de altura - local onde passa a CRIL - que separa os concelhos de Lisboa e Amadora, criando uma barreira entre os bairros de Benfica e da Damaia e que passa rente a diversas casas.
 

"Encontro aqui casas em que à altura do último andar está um muro sobre este atravessamento, esta rodovia. Ou seja, as pessoas foram totalmente abusadas numa vertigem de construção em que o Governo quer inaugurar depressa, fazendo aquilo que disse que não ia fazer", denunciou Francisco Louçã.

De facto, os moradores há muito que vêm reclamando contra a forma como foi construído este último troço da CRIL. Além dos abusos cometidos para terminar a obra antes das eleições, a principal polémica prende-se com o traçado escolhido, a céu aberto e com curvas perigosas, passando tente às casas das pessoas, simplesmente para poder beneficiar uma futura urbanização projectada para os terrenos da Quinta da Falagueira.
 

"No século XXI não se fazem coisas destas e nós já sabemos o suficiente para fazer túneis que possam ter a protecção do ambiente e a protecção de urbanização, da vida das pessoas porque a vida das pessoas é muito mais importante que o interesse dos especuladores da Quinta da Falagueira", defendeu Louçã, sublinhando que a dita urbanização foi "um dos grandes negócios do Governo de Manuela Ferreira Leite".


O Bloco de Esquerda tem sido a voz mais activa no parlamento na denúncia deste atentado à qualidade de vida das populações. Esgotada a via parlamentar, o Bloco enviou toda a documentação deste processo para a Procuradoria Geral da República, na esperança de que se avance para uma investigação judcial. Em causa estão violações das declarações de impacte ambiental, expropriações abusivas, violações das normas do troço em execução e a ausência de consultas públicas às populações.

No final da visita, a comitiva do Bloco deslocou-se ainda à Estrada dos Salgados, em Alfornelos, onde a população - idosa e com dificuldade de deslocação - se queixa igualmente dos efeitos das obras da CRIL, ficando sem ligações directas a Benfica e à Colina do Sol, e completamente emparedada por várias auto-estradas.